Homem bloqueia rodovia para acionar bombeiros e socorrer a mãe, com Covid-19, que desmaiou após dificuldades para respirar — Foto: Arquivo pessoal

Maria dos Santos Borges, de 58 anos, estava com falta de ar e desmaiou dentro do carro. Filho diz que objetivo era chamar ambulância e agilizar máscara de oxigênio.

Em um ato de desespero, um motorista bloqueou a BR-040, no Distrito Federal, para pedir socorro para a mãe, doente de Covid-19. Segundo o filho, ela sofreu uma crise de falta de ar e quase desmaiou, dentro do carro. 

O caso ocorreu no último sábado (13). Maria dos Santos Borges, de 58 anos, havia recebido o diagnóstico da doença 10 dias antes e se recuperava em casa, mas teve uma piora no quadro e o filho a levava para o hospital.

"A boca dela estava roxa, as mãos, os pés. Puxava o ar e não conseguia. Começou a falar que ia morrer, eu fiquei desesperado, atravessei o carro na BR e pedi ajuda", disse o filho. 
Diogo Borges Mota, de 34 anos, contou que ficou desesperado. "Eu queria uma ambulância, uma máscara de oxigênio, pra ela ser socorrida logo. Os hospitais estão cheios e eu também fiquei com medo de não dar tempo de chegar", disse. 
Maria foi socorrida por uma equipe dos bombeiros, cerca de 10 minutos após o acionamento. Ela foi encaminhada ao Hospital Regional de Santa Maria (HRSM) de ambulância, respirando com ajuda de aparelhos. Desde então, segue internada, recebendo oxigênio.
Covid-19: homem bloqueia rodovia no DF e aciona ambulância para socorrer mãe com falta de ar
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Covid-19: homem bloqueia rodovia no DF e aciona ambulância para socorrer mãe com falta de ar

Saga por atendimento

Segundo Diogo, a mãe mora na região de Santa Maria. "Achamos que ela estava melhorando, mas estava piorando. Foi ficando cada vez mais fraca, não queria mais comer", disse.

No sábado, o Hospital Regional de Santa Maria estava lotado. O filho, então, decidiu levar Maria a um hospital particular em Valparaíso de Goiás (GO), no Entorno do DF – a cerca de 10 quilômetros de onde ela mora. 

"Fomos para um hospital em Valparaíso, que tinha exames mais baratos, pra fazer uma tomografia no pulmão", conta Diogo. 

Segundo ele, os exames mostraram que a mãe estava com 50% do pulmão comprometidos. O hospital, no entanto, não poderia atender a paciente, porque também estava lotado. 

"O médico colocou ela em um box, com suporte respiratório até ela se recuperar um pouco, e falou para eu correr para um hospital, em Brasília, porque lá [em Goiás] estava ainda mais cheio e ela podia morrer", lembra Diogo 

No caminho de volta para Brasília, ele diz que a mãe piorou. Foi nesse momento Diogo decidiu bloquear a BR-040.

Equipe dos bombeiros socorre mulher com Covid-19,  que desmaiou após dificuldades para respirar à caminho do hospital — Foto: Arquivo pessoal

Equipe dos bombeiros socorre mulher com Covid-19, que desmaiou após dificuldades para respirar à caminho do hospital — Foto: Arquivo pessoal

O carro ficou atravessado na altura da divisa entre Valparaíso (GO) e Santa Maria (DF). Diogo conta que policiais rodoviários monitoraram a abertura da via, enquanto ele aguardava o socorro, que ocorreu nas margens da BR. Ao chegar no hospital, a preocupação não acabou.

"No pronto socorro, a equipe da enfermagem passou a informação que todos os pontos de oxigênio estavam ocupados, mas que eles tinham feito uma espécie de gambiarra pra atender o pessoal que tava chegando", disse. 

Diogo afirma que a mãe esperou atendimento por quase uma hora. Nesta segunda-feira (15), ela seguia internada em um leito de enfermaria, com ponto de oxigênio. Segundo os familiares, Maria "se recupera bem".

Maria dos Santos Borges, de 58 anos, dá entrada no Hospital Regional de Santa Maria, no DF — Foto: Arquivo pessoal

Maria dos Santos Borges, de 58 anos, dá entrada no Hospital Regional de Santa Maria, no DF — Foto: Arquivo pessoal

O que diz o hospital público

O Instituto de Gestão Estratégica da Saúde (Iges-DF), responsável pelo Hospital Regional de Santa Maria, disse que os tanques de oxigênio das unidades que administra – Hospital de Base, Santa Maria e de mais seis Unidades de Pronto Atendimento (Upas) – são abastecidos de três a quatro vezes por semana.

O instituto afirmou ainda que o fornecimento de oxigênio é realizado por meio de contrato com a IBG Indústria Brasileira de Gases e que "não há risco de falta de abastecimento", pois "em média três vezes por semana os tanques de grande capacidade de armazenamento são abastecidos pela empresa contratada".

As informações são do G1 DF.