Preparação da equipe técnica é uma das últimas fases para que o aparelho, adquirido em 2013, entre em funcionamento  

O Instituto de Gestão Estratégica de Saúde (Iges/DF) começou o treinamento de 20 profissionais que vão manusear o equipamento PET-CT, aparelho de tomografia adquirido por US$ 1 milhão em 2013, mas que até hoje não entrou em funcionamento.

A capacitação desses profissionais é uma das últimas etapas a serem cumpridas pelo instituto para que o aparelho, instalado no Hospital de Base (HB), comece a fazer tomografias de alta precisão para detectar pacientes com câncer, doenças cardíacas e tumores cerebrais.  

Os escolhidos aprenderam a manusear a bomba injetora de contraste radiológico do PET/CT, ferramenta que possibilita injetar nos pacientes substâncias que permitem identificar, com maior precisão, possíveis doenças. O treinamento prossegue na próxima semana. 

 Histórico do PET/CT 

A máquina foi adquirida em 2013 para funcionar dentro do Hospital de Base, que à época, no entanto, não dispunha espaço apropriado para receber o pesado equipamento

O PET-CT é um exame que revela, com alta precisão, doenças nas áreas da cardiologia, neurologia e, principalmente, oncologia. É solicitado para avaliação de metástases e estágio da doença, fornecendo aos médicos subsídios para direcionar e avaliar o tratamento dado ao paciente. 

O nome do equipamento é a junção das siglas de dois tipos de tecnologias usadas para a produção de imagens de alta resolução: a tomografia por emissão de pósitrons (PET) e a tomografia computadorizada (CT).  

A máquina foi adquirida em 2013 para funcionar dentro do Hospital de Base, que à época, no entanto, não dispunha espaço apropriado para receber o pesado equipamento.  

O governador Ibaneis Rocha, ao assumir o GDF, determinou que o problema fosse solucionado. O Iges/DF, que administra o Hospital de Base, passou então a cumprir as medidas exigidas para por o aparelho em funcionamento. Uma delas foi reestruturar o espaço do Núcleo de Medicina Nuclear do HB para receber o equipamento, que pesa cinco toneladas. Esse material chegou em 21 caixas de até três metros de cumprimento, que ficaram durante anos no corredor do hospital.

Em 30 de outubro de 2019, foi homologado na 5ª Vara da Fazenda Pública do DF acordo firmado entre o GDF e GE Healthcare, fornecedora do aparelho, para a instalação do equipamento. Pelo acordo, a empresa arcou com os custos das reformas no Núcleo de Medicina Nuclear. Em abril de 2020, as obras foram concluídas e o equipamento transferido para o novo espaço.   

Em julho deste ano, o Iges/DF obteve outra importante vitória: conseguiu a autorização da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen), que disciplina e fiscaliza o uso de produtos e equipamentos radioativos em solo brasileiro, para que o Hospital de Base possa por em funcionamento o PET/CT. 

Com essa autorização, Gilberto Occhi, presidente do Iges/DF, no início de agosto deste ano formalizou à Secretaria de Saúde processo visando que a SES  firmasse contrato com o instituto para que fosse feito o treinamento da equipe técnica.       

 Fase de treinamento 

O IIges/DF entra agora na fase de treinamento dos profissionais que vão operar o equipamento, entre eles, médicos e técnicos de Medicina Nuclear, físicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem. O treinamento prossegue na próxima segunda-feira (30), quando os futuros operadores vão aprender a manusear outros instrumentos do equipamento.  

Essa fase de treinamento teórico e prático, que inclui o domínio das tecnologias de produção de tomografias, vai até o dia 24 de setembro, conforme cronograma do Iges/DF, que prevê para novembro o início das operações do PET/CT. 

O treinamento desta quinta-feira (26) foi conduzido pela técnica Aratuza Morais, especialista de treinamento da empresa Bayer, responsável pela bomba injetora. Ela ensinou a equipe a manusear a injetora, a operar o equipamento com segurança, a usar a técnica de contrates e os cuidados a serem adotados com os pacientes.  

“O objetivo do treinamento é repassar todas as informações necessárias para que as equipes multidisciplinares, atuando de forma integrada, consigam executar suas atividades com excelência”, explicou. “Essa etapa é importante para que a gente aplique o conhecimento antes de o setor começar a funcionar”, concordou Ademar Barros, radiofarmacêutico que participou do treinamento. 

Para o médico nuclear João Arratia, também membro da equipe de operadores, essa fase de aprendizagem é fundamental para que o aparelho seja usado com total segurança. “Saber manusear o equipamento é necessário para que nada dê errado no momento em que estivermos realizando os procedimento”, defendeu. “É uma segurança para o paciente, principalmente, e também para a equipe”.  

 Com informações da Secretaria de Saúde