O Par t ido do s T ra ba l h a do r es (PT ) no D i st r it o F e dera l enf r ent a u m c e n ár io decisivo e peculiar às vésperas...
O Partido dos Trabalhadores (PT) no Distrito Federal enfrenta um cenário decisivo e peculiar às vésperas das eleições de outubro. Após 12 anos afastado do poder na capital, o partido, antes conhecido por sua forte base militante, agora lida com a dificuldade de mobilizar apoiadores e vê sua relevância nas ruas diminuir consideravelmente. O barulho de outrora foi substituído por um tímido esforço, revelando fragilidade na tentativa de reconquistar espaço político.
Para complicar ainda mais, o pré-candidato ao governo, Leandro Grass, não tem conseguido ganhar tração. Segundo as últimas pesquisas, seu desempenho nas intenções de voto está aquém do esperado e muito distante dos líderes na disputa. No levantamento do Real Time Big Data realizado em dezembro de 2025, Grass aparece com 13% das intenções em um cenário com José Roberto Arruda (PSD) inelegível, garantindo o segundo lugar com 21%, enquanto Celina Leão (PP) lidera confortavelmente com 40%. Mesmo em cenários onde Arruda não figura, Grass atinge no máximo 16%, com Celina ampliando sua vantagem para 50%. Resultados similares foram confirmados pela Paraná Pesquisas em outubro de 2025, com o pré-candidato do PT marcando entre 11,8% e 14,5%.
Além das dificuldades de campanha nas ruas, Grass atribui o baixo desempenho à falta de recursos financeiros, limitando sua capacidade de comunicação e estrutura. Sua situação contrasta diretamente com políticos como Ricardo Cappelli (PSB), enfrentando acusações de uso de fundo público, enquanto Grass se vê sozinho sem apoio substancial dos companheiros do partido, que aceitam sua candidatura com uma dose visível de resistência.
A situação parece ter levado parte do partido a explorar estratégias mais audaciosas: a formação de uma aliança política com José Roberto Arruda (PSD), mesmo sendo este considerado inelegível. A ideia seria indicar Grass como vice na chapa de Arruda, apostando em uma possível retirada judicial de suas condições de concorrer durante a corrida eleitoral — um movimento calculado que poderia colocar Grass na disputa principal. Essa estratégia não seria inédita no DF; em 2014, um cenário semelhante ocorreu quando Arruda foi substituído por Jofran Frejat pouco antes das eleições devido a questões judiciais. No final, isso beneficiou Rodrigo Rollemberg (PSB), que venceu naquela ocasião.
Tal aliança pode trazer à tona capítulos conturbados da história política local, como os escândalos Pandora em 2009 e Panatenaico em 2017, ambos marcados por irregularidades que impactaram profundamente as carreiras de Arruda e figuras associadas ao PT no DF.
Embora saibamos que a política é sempre palco de possíveis reviravoltas, o PT agora enfrenta seu maior dilema desde que chegou ao Distrito Federal: lutar pela renovação dentro dos próprios limites ou arriscar-se em um controverso "casamento político" cujo desfecho é incerto e carregado de implicações históricas.
Por Carlindo Medeiros, Portal de Notícias Lei e Política, com informações do Portal Radar-DF, do Jornalista Toni Duarte


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