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Conversinha teatral: Cristiano Severo critica políticos que transformaram a crise do BRB em palanque eleitoral

  Enquanto vozes da oposição apostavam na liquidação do banco como trunfo eleitoral, Celina Leão conduziu em 55 dias uma articulação silenci...


 Enquanto vozes da oposição apostavam na liquidação do banco como trunfo eleitoral, Celina Leão conduziu em 55 dias uma articulação silenciosa que desembocou em vitória no STF; Cristiano Severo que acompanhou o processo por dentro revela os bastidores

Na manhã deste sábado (30), o programa Vozes da Comunidade, apresentado pelo jornalista Toni Duarte, entrevistou o bancário e dirigente sindical Cristiano Severo. Em uma conversa franca, ele detalhou os bastidores e os desdobramentos da articulação pró-BRB, que resultou em um desfecho positivo na última quinta-feira (28), com a homologação do acordo de capitalização pelo Supremo Tribunal Federal.

O desfecho poderia ter sido outro. Por semanas, uma narrativa circulou nos bastidores políticos do Distrito Federal: a de que o Banco de Brasília estava condenado, que não havia saída viável dentro do prazo necessário e que a melhor opção seria aceitar o inevitável. Para alguns, o colapso da instituição teria, além disso, um valor político conveniente — a seis meses das eleições.

Foi contra essa narrativa que a governadora Celina Leão (Progressistas) escolheu se posicionar. E foi por dentro desse processo que Cristiano Severo, bancário com quase 20 anos no BRB e dirigente sindical, acompanhou cada etapa — das agências angustiadas ao choro de alívio na quinta-feira, quando o STF homologou o acordo que afastou definitivamente o risco de liquidação.

“Muita gente fazia um discurso fácil e irresponsável, sem honestidade intelectual, para demonstrar o que seria a descontinuidade do BRB. Era o discurso do quanto pior, melhor.”

A condução da governadora

Na avaliação de Cristiano Severo, o diferencial de Celina Leão não foi apenas político, foi de método. Enquanto adversários exploravam o desgaste da crise em palanques e nas redes, ela construía, em silêncio, a engenharia financeira da solução: securitização da dívida, negociação direta com o ministro da Fazenda e articulação junto ao governo federal para viabilizar o acordo que chegaria ao STF.

“Na primeira oportunidade que tive com ela, disse: governadora, eu choro todos os dias com os empregados deste banco. Ela me olhou e respondeu: Cristiano, para mim isso é uma questão de honra”, relatou Severo. A promessa foi cumprida em 55 dias.

O sindicalista foi enfático ao retirar a questão do campo partidário. Para ele, o que está em jogo ultrapassa qualquer disputa eleitoral. “O que foi feito é suprapartidário. É um ato republicano. A governadora buscou até agradecer ao presidente Lula porque o que se precisava eram atos de responsabilidade com as pessoas e com a coisa pública — e isso aconteceu.”

“Contra fatos não resistem argumentos. O grande fato é que ela não tinha simpatia nenhuma pela gestão anterior, e mesmo assim salvou o banco. Isso é uma demonstração cabal de intenções.”

Os profetas do caos

Se a governadora apostou na reconstrução, outros preferiram o cenário do colapso. Severo não poupou críticas ao que chamou de “profetas do caos” — políticos que, segundo ele, fizeram campanha sobre uma tragédia hipotética, disseminando a tese de que não havia solução dentro do prazo e de que a liquidação seria o caminho natural.

“Ficavam nessa conversinha teatral, como se dissessem: tem a cura para o câncer, mas o remédio chega daqui a um ano — sendo que o paciente tinha um mês de vida. A corda estava no pescoço. O banco precisava de resgate agora, não de um discurso para depois”, disse.

Parte desse discurso incluía a alegação de que o acordo de capitalização impediria o BRB de realizar novos concursos públicos e chamamentos de aprovados. Para Severo, trata-se de argumento sem sustentação, formulado por quem preferia o banco morto a um banco vivo sob a condução de um governo adversário.

“Tem gente muito qualificada e bem-intencionada na oposição. Mas também tem aqueles para quem 2026 é só ano eleitoral — e que apostam no quanto pior, melhor. Essa irresponsabilidade não cabe mais.”

Na quinta-feira 28/05, quando a decisão do STF foi confirmada, uma carreata espontânea de funcionários tomou as ruas de Brasília. Organizada pela AneaBRB e pela AABR, a mobilização havia sido marcada antes mesmo da primeira audiência no tribunal. As duas audiências decisivas acabaram ocorrendo no mesmo dia. “Foi algo maior do que a gente”, disse Severo. “Chegamos com uma oração. Saímos com uma vitória.”

O próximo capítulo, segundo ele, é a responsabilização judicial dos envolvidos nos desvios e a recuperação dos valores subtraídos — com prioridade para o ressarcimento ao Distrito Federal. “Independentemente da envergadura, quem é criminoso tem que responder. E o dinheiro que foi roubado de Brasília tem que voltar para Brasília.”

Assista à entrevista na íntegra:

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