‘Longe do Paraíso’, exibido no dia 16, elevou em 163% a média de audiência. O filme de Orlando Senna ganhou o Candango de Júri Popular

Pela primeira vez realizado para um público virtual, em decorrência da pandemia da Covid-19, o 53º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro (FBCB) não perdeu uma de suas principais características: a intensa participação do espectador cinéfilo. De acordo com o Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope), 620 mil telespectadores passaram pelo Canal Brasil no momento de exibição dos longas-metragens da Mostra Oficial –  o  que aumentou em 40% a média de audiência.

Longe do Paraíso, exibido no dia 16, elevou em 163% esse índice de audiência. O filme de Orlando Senna ganhou o Candango de Júri Popular. Ainda não foram divulgados os números de acesso aos filmes da Mostra Oficial de Curtas e da Mostra Brasília, ambas hospedadas na plataforma Canais Globo.

Nas mesas de debate, foram mais de mil pessoas impactadas pelas publicações nas redes da Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec). Somente no Twitter, durante o período de realização do festival, houve mais de 48 mil impressões (número de vezes que os usuários viram o conteúdo) e 9.118 visualizações no canal do YouTube da Secec, que transmitiu, ao vivo, a maioria dos painéis de debates.

“Esses números confirmam que fizemos uma edição não só histórica, como também gigante”, observa o secretário de Cultura e Economia Criativa, Bartolomeu Rodrigues.

Formato de resistência

Artistas selecionados para o 53º FBCB foram unânimes ao expressar a falta que o tradicional encontro presencial no Cine Brasília faz. Mas também reconheceram, por unanimidade, que o formato remoto foi imprescindível para manter acesa a chama da maior vitrine da produção cinematográfica do País.

“Tem uma tristeza de estar longe do Cine Brasília – um templo do cinema brasileiro –, e seu público superparticipativo, mas tem o desafio de entender como será a participação do público on-line”, observou a cineasta Betse de Paula.

Para Bartolomeu Rodrigues, o evento precisava ser realizado em nome da resistência, marca histórica de um festival, que hoje se consolida cada vez mais como política pública para a economia criativa nacional.

“Fizemos o festival não só para cumprir o calendário de eventos oficiais, mas fizemos porque ele estava destinado a não acontecer”, disse. “Aprendemos com a história do festival que ele precisa resistir. E tornamos o festival possível, com pandemia e tudo. O cinema precisa sobreviver.”

O resultado dessa incursão virtual do festival foi dos mais relevantes para o FBCB, como sugeriu o cineasta Edson Fogaça, participante da Mostra Brasília com o filme O Mergulho na Piscina Vazia: “Essa edição atípica traz a vantagem de permitir uma grande capilaridade, ao ver via online, uma excelente oportunidade para levar os filmes a um público bem maior”,

E foi o que aconteceu. Graças ao formato necessário para preservar vidas em meio à atual pandemia, o FBCB se permitiu ser visitado por pessoas ao redor do globo, expandindo as fronteiras do cinema brasileiro e reafirmando o compromisso da Secec com a democratização do acesso aos bens culturais e o fomento à produção cultural.

 Com informações da Secec